Juventude

Por uma ampla campanha contra a repressão

20 Sep 2007   |   comentários

Na medida em que aumentam os processos de luta, aumenta a repressão como resposta do Estado burguês que, para controlar as contradições da exploração, se utiliza de todo seu aparato repressor. Vejamos alguns exemplos:

* Entrada da tropa de choque na Fundação Santo André, na Faculdade de direito da USP e na UNESP Araraquara.

* Tomada dos espaços estudantis, caças e punições aos lutadores nas universidades.

* Crescimento da fórmula escola = semi-fábrica + semi-cadeia ’ reflexão, uma mistura de arquitetura-presídio, com vigilância que agora também é privada (em São Paulo, o prefeito Kassab do PFL contratou empresas de segurança privada para algumas escolas) e o mínimo de estímulo da capacidade de raciocínio necessários para ser mão de obra.

* Assédio moral e físico permanente que os negros e pobres da periferia sofrem da polícia!

* Ofensiva gigantesca da burguesia contra o direito de greve (demissão de 63 metroviários, corte de ponto dos trabalhadores do INCRA, prisão de controladores de vóo, e agora querem aprovar uma lei que institucionalize esses ataques).

* Ofensiva permanente do Estado e da imprensa contra os trabalhadores sem-terra.

Essa ofensiva das diversas instituições do Estado controlado pela burguesia, e a serviço dos seus interesses, que tem a polícia assassina como seu braço armado. O governo Lula vem atacando abertamente o direito de greve, como se pode ver com os controladores de vóo e no INCRA, e reprime os sem-terra. O governo Serra já mostrou que vai responder os movimentos com demissões e Tropa de Choque. A justiça burguesa segue deliberando pela criminalização de ações políticas que se apresentem contra o status quo, como a caracterização da greve dos metroviários de “ilegal” ou os mandatos de reintegração de posse com toda a agilidade das ocupações que fez o movimento estudantil. A imprensa segue cumprindo seu papel de atacar tudo que ameace a estabilidade do neoliberalismo brasileiro.

Por sua vez, a reacionária polícia, cada vez se mostra como uma instituição mais podre, com recorrentes denúncias de corrupção, tortura e ligações orgânicas com o narco-tráfico. Não devemos nos iludir quando entram em greve, como faz a maioria da esquerda que apóia as greves da polícia. Só para citar um exemplo, no começo do ano em Alagoas, a polícia entrou em greve e participou de atos juntos com os trabalhadores, depois, foi a primeira a ter as reivindicações atendidas (justamente pela importância vital que tem para a contenção) e, no dia seguinte, estava na linha de frente reprimindo os mesmos que antes haviam chamado de companheiros.

O movimento estudantil precisa tomar a frente da luta contra a repressão

Por onde passa o novo movimento estudantil, vem a repressão como resposta. Foi assim nas estaduais paulistas, que teve seu ponto alto com a entrada da Tropa de Choque em Araraquara. A ocupação da UFSC foi coagida frente à ameaça de repressão policial. E agora, a polícia mostrou novamente sua face mais reacionária na Fundação Santo André, onde foi tão truculenta que a burguesia foi obrigada a afastar o comandante da ação.

Nem mesmo a inofensiva “ocupação” da Faculdade de direito da USP passou ilesa. O reacionário diretor João Rodas e José Serra não somente enviaram a Tropa de Choque, mas deram todo apoio para os estudantes de direita se organizarem, liberando aulas para uma “assembléia” , com a guarda universitária na porta, que foi dirigida por um setor fascista, com camisetas do DOPS ’ Esquadrão da Morte.

Isso sem contar a presença permanente e ostensiva da PM no cotidiano das universidades de todo o país. É preciso que este fato, hoje ainda encarado com normalidade, seja rechaçado por este novo movimento estudantil. Afinal, se queremos que a universidade seja um espaço de questionamento não podemos conviver com a polícia! Por isso, uma das tarefas mais urgentes que temos pela frente é a formação de comitês de estudantes contra a repressão, que tome para si o lema “Se atacam um, atacam todos” , respondendo a cada repressão e que avance na tarefa de expulsar a polícia das universidades.

Essa é uma campanha democrática que deve ser impulsionada em uma frente única ampla de todos os setores que estejam dispostos a combater a repressão policial e as perseguições por parte das burocracias acadêmicas ao movimento estudantil. Só assim, poderemos barrar a repressão que vem sendo crescentemente utilizada como medida de disciplinamento, não somente ao movimento, mas aos espaços estudantis e até mesmo a manifestações culturais e festas. Cada vez mais somos vigiados por câmeras, guardas e polícia em todos os cantos. É para dizer um basta que chamamos todos os estudantes a tomarem para si essa campanha e a exigir das correntes políticas façam o mesmo.

Chamamos a Conlute e a Frente de Luta contra a Reforma Universitária, que se colocam no campo da luta contra o governo e do movimento estudantil combativo, a tomarem para si a tarefa de coordenar efetivamente as lutas em geral, e contra a repressão em particular, colocando todos seus esforços para colocar de pé esses comitês estaduais, a partir das bases.

Mas como vimos nos exemplos aqui colocados, a repressão não é um problema que afeta só o movimento estudantil. Por isso, ao mesmo tempo em que nos damos a tarefa de colocar de pé esses comitês estaduais de estudantes contra a repressão, que devem partir de organizar ações de solidariedade com as lutas dos trabalhadores, e exigir que a Conlutas e da Intersindical tomem para si a tarefa de coordenar a luta contra a repressão no movimento operário. Essa é a via para forjar uma verdadeira aliança operário-estudantil que será capaz de dar uma resposta à repressão aos trabalhadores, à juventude e ao povo pobre e negro.

Fora a PM das universidades!
Construir comitês estaduais estudantis contra a repressão!
Pela aliança operário-estudantil para combater a repressão aos trabalhadores, à juventude e ao povo pobre e negro!

Paula Litcha é estudante de Letras da USP

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