Movimento Operário

A Conlutas não esteve à altura da combativa greve dos funcionários da USP

27 Jun 2009   |   comentários

Os trabalhadores não precisam de palanque para propaganda, mas sim de uma verdadeira organização classista e combativa para a luta

Diferente das centrais governistas a Conlutas se proclama uma central anti-governista, combativa, classista e até internacionalista e socialista. Ela é um importante agrupamento de sindicatos e oposições sindicais e até organizações sociais dos setores à esquerda do governo Lula, e por isto temos desde seu nascimento participado dela. Porém, o fazemos criticamente e combatendo lealmente em seu interior, porque não concordamos com a orientação propagandística e abstencionista na luta de classes que o PSTU (corrente majoritária) impõe a essa organização. Nossa luta para reforçar os princípios classistas na Conlutas é inseparável da luta intransigente contra a política de conciliação de classes do PSOL e a influência de sua corrente sindical (Intersindical), com a qual a Conlutas (PSTU) está procurando a unidade numa única “central” .

É preciso nos preparar para enfrentar a crise

A crise capitalista internacional em curso exige uma nova prática das oranizações que nos reivindicamos da esquerda revolucionária. Exige contribuir para forjar uma vanguarda combativa para a luta de classes e que jogue toda sua força para que os processos de luta triunfem. A vanguarda organizada na Conlutas precisa superar a prática do sindicalismo herdado do petismo, com seu rotineirismo das datas-base e eleitoralismo (jogar-se ativamente somente nas eleições sindicais ’ a última importante nacionalmente foi a do SEPE-RJ), passando a militar ativamente pelo triunfo das lutas operárias em curso.
A Conlutas depois de cinco anos da sua fundação mostrou-se completamente despreparada para responder à altura das necessidades da luta de classes. É necessário mudar seu rumo.

A prova da greve na USP: a Conlutas (PSTU) não mobilizou as categorias contra a PM

Os 50 dias de greve dos trabalhadores da USP constituem uma luta exemplar que precisa ser reivindicada, e suas lições apreendidas pelos ativistas e organizações combativas. Lamentavelmente, a Conlutas não teve nada a ver com este importante processo de luta política de um sindicato combativo que espalhou sua greve em nível nacional, dividiu a opinião pública entre apoiadores e detratores e colocou no centro o debate do regime das universidades estaduais, começando pela derrubada da reitora Suely, mas também do conselho universitário, e as propostas alternativas. Diante disso, a reitora e o governo Serra invadiram o campus com a PM para amedrontar e ameaçar os trabalhadores em greve. A Conlutas só enviou alguns de seus dirigentes! Não mobilizou as categorias nem tampouco fez campanha ativa pela greve, não enxergando que o triunfo deste conflito possa se constituir num ponto de apoio para as demais categorias. É hora de mudar o rumo e priorizar a luta de classes.

Deve-se mudar o rumo

Não podemos permitir novas derrotas da classe trabalhadora. Não podemos repetir os erros de deixar passar sem luta e sem campanhas de solidariedade ativa as demissões, como ocorreu com os trabalhadores da Vale em Itabira e Congonhas e da GM e Embraer em São José. Não podemos aceitar a política da maioria da Conlutas que se limita a fazer campanha de adesivos e abaixo assinados, e quando muito inócuas exigências a Lula. Agora, quando nosso principal sindicato na capital paulista (o Sintusp) é atacado pela demissão de um dos seus principais dirigentes (Brandão) outros são ameaçados, sofrem processos criminais com o objetivo de eliminar essa organização de luta, e em meio a esse agudo conflito que envolve a militarização da universidade e a ofensiva da mídia, a Conlutas volta a se prostrar e, por sectarismo de sua corrente majoritária, nem sequer menciona uma das principais consignas da greve: a readmissão de Brandão. Os sectários fazem isso porque Brandão não pertencer a sua corrente política, deixando de cumprir um princípio básico: defender todo e qualquer ativista, dirigente e organização que luta. As oposições da Apeoesp e outros setores e as centenas de sindicatos da Conlutas no país não têm sido orientados a organizar ações de solidariedade a esta greve, deixando-a isolada.

Chamamos todas as organizações combativas que integram a Conlutas a colocar no centro da pauta da próxima reunião da Coordenação Nacional (convocada para fins de julho) o balanço da greve dos trabalhadores da USP e do Sintusp, extraindo, para todas as categorias, as lições desta luta, dando passos concretos para mudar o rumo propagandistico da direção majoritária da Conlutas que faz promessas de socialismo para o futuro mas não tem nenhuma conseqüência prática no programa e na política cotidiana ’ que se mantém abstencionista.

Artigos relacionados: Movimento Operário









  • Não há comentários para este artigo