Saúde

Demissões na Santa Casa

Novas demissões na Santa Casa: É preciso colocá-la na mão dos trabalhadores e da população

19 Jan 2015   |   comentários

Há vários meses vem sendo noticiada na mídia a crise financeira em que se encontra a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, fruto da corrupção de seus gestores e das empresas terceirizadas que, há anos, desviam verbas e superfaturam tudo, lucrando com o dinheiro que deveria atender às necessidades de saúde da população e colocando à míngua todos os que dependem da saúde (...)

Há vários meses vem sendo noticiada na mídia a crise financeira em que se encontra a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, fruto da corrupção de seus gestores e das empresas terceirizadas que, há anos, desviam verbas e superfaturam tudo, lucrando com o dinheiro que deveria atender às necessidades de saúde da população e colocando à míngua todos os que dependem da saúde pública.

Essa crise já gerou enormes consequências para a população e os trabalhadores da Santa Casa. Enquanto David Uip, Secretário de Saúde do estado, e Kalil Abdala, chefe da Santa Casa, trocavam farpas publicamente, nenhum deles fazia nada para solucionar o problema. Assim, já assistimos em poucos meses a Santa Casa fechar as portas de seu Pronto Socorro, diminuir o número de leitos de internação, acabar com 25 tipos de exames que realizava, suspender o pagamento de décimo terceiro salário, atrasar o pagamento de salários. Hoje, ela sofre com a ausência de medicamentos básicos para o atendimento à população, como a penicilina cristalizada, utilizada para combater pneumonia em crianças.

As primeiras demissões, como sempre, se abateram sobre o setor mais precarizado dos trabalhadores, que cotidianamente já têm os piores salários, as piores condições de trabalho e muito mais dificuldade de se organizar contra patrões e as burocracias mafiosas que dirigem seus sindicatos. Às vésperas do final de ano a empresa de limpeza Vivante demitiu 1.150 trabalhadores. Agora, as demissões chegam aos efetivos, e a Santa Casa soltou uma nota dizendo que fará uma “readequação” do quadro de funcionários. Na prática, isso quer dizer que pretendem jogar no olho da rua 1,3 mil funcionários. A intenção da administração é, como anunciaram em reunião com funcionários, cortar 20% da folha de pagamento. Essas demissões não apenas deixarão as famílias desses trabalhadores sem sustento, como significarão uma imensa precarização do atendimento e do funcionamento de toda a instituição. Enquanto isso, governo e administradores seguem sua vida tranquilamente, desfrutando do atendimento de caros hospitais particulares.

O plano de implementar as demissões está sendo colocado em ação por Irineu Massaia, novo superintendente da Santa Casa, que assumiu há três meses encarregado de resolver a crise. Em declaração à imprensa, Massaia afirmou que "Temos 65% dos nossos custos com folha de pagamento. Se aumenta o número de funcionários, mas não aumenta a produção, a gente tem de rever isso. Do pessoal assistencial (profissionais de saúde), é capaz que tenhamos de contratar mais gente. Agora, o administrativo pode ser reduzido e muito, o equivalente a 20% da folha de pagamento, que se traduz em 4 milhões de reais de economia por mês". Essa é a lógica “empresarial” que Massaia quer impor ao atendimento na Santa Casa para justificar o corte de 18% dos 7.194 trabalhadores da Santa Casa. Não importa a qualidade do atendimento, importa o número de atendimentos realizados. Assim, se incentiva cada vez mais a precarização para inflar as estatísticas e “mostrar resultado”, ao invés de aumentar o investimento e a qualidade para atender as demandas da população.

É preciso entender que a Santa Casa, em primeiro lugar, não é o modelo de saúde que nós temos que defender. É uma instituição privada “filantrópica” sustentada com dinheiro público. Ou seja, ao invés da verba pública ir para as instituições públicas, financia uma entidade privada com autonomia completa. Para que os trabalhadores e o povo pobre tenham suas necessidades atendidas, é necessário reverter o processo de privatização do SUS iniciado pelo governo do PT, de passar às mãos de empresas privadas a administração dos hospitais por meio das chamadas OS (Organizações Sociais). O mesmo deve ocorrer com a Santa Casa: é necessário sua estatização, e que ela e todas as instituições de saúde saiam das mãos de corruptos como Abdala, Uip e Alckmin, que lucram milhões desviando dinheiro que deveria atender o povo. Para isso é fundamental não apenas a estatização, mas que essa seja feita sob controle dos trabalhadores e usuários dos serviços de saúde.

A Santa Casa é um exemplo de como os capitalistas e seus administradores no Estado utilizam cada serviço essencial para a população para espremer mais um pouco de lucro para seus bolsos. É necessário que façamos como na greve da USP, que conseguiu reverter a desvinculação do Hospital Universitário a partir de uma forte mobilização. Criemos comitês de bairro com trabalhadores da saúde e usuários, com participação de sindicatos, organizações operárias e populares para colocar de pé uma grande campanha em defesa da Santa Casa. Essa é uma tarefa que cabe à esquerda de conjunto, em particular aos setores antigovernistas como a CSP-Conlutas e as Intersindicais, que já há anos denunciam a privatização da saúde por meio das OS e da EBSERH. É uma oportunidade de colocarmos esse programa na prática e fazermos da luta pela Santa Casa um exemplo.

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