Nacional

ÁGUA, AJUSTES E CORRUPÇÃO

Marcelo (Pablito): “Os sindicatos de esquerda precisam se unir para lutar”

16 Nov 2014   |   comentários

1º Encontro Nacional do Movimento Nossa classe chama a conformação de um encontro de sindicatos e oposições que se coloque na linha de frente da mobilização dos trabalhadores para resistir aos planos de ajustes, defender de uma saída de fundo para a crise da água e combater a impunidade no país.

Frente à situação nacional em que o novo governo Dilma já começa a trair as expectativas que gerou nas eleições, colocando em prática um plano de ajustes contra os trabalhadores, frente à crise da água que faz sofrer cada vez mais uma quantidade maior de famílias trabalhadoras, e frente aos escândalos de corrupção que mais uma vez tomam conta do país, Marcelo (Pablito), diretor do Sindicato de trabalhadores da USP, declara:

“Por um lado, Dilma já começou a implementar tarifaços, anunciou que vai cortar gastos do governo, que sabemos termina atingindo a educação e a saúde, e entrou numa rota de aumento dos juros, que vai resultar em mais recessão. Por outro lado, é um absurdo que com tudo o que a população está passando pela falta de água os governos sigam fechando os olhos para a profundidade da crise e sem tomar nenhuma medida séria. Com a economia em declínio, os patrões vão endurecer para preservar seus lucros, as campanhas salariais do primeiro semestre do ano que vem vão ser muito mais difíceis, e vão aumentar as demissões, como está ocorrendo na indústria. Em meio a tudo isso, o escândalo da Petrobrás mostra mais uma vez que essa casta de políticos que está aí, que envolve tucanos, petistas e todos os partidos dominantes, só serve para parasitar os recursos públicos governando a serviço dos capitalistas”.

Indagado sobre por que os trabalhadores e a juventude não retomam o caminho das manifestações de junho de 2013 e o caminho das greves que sacudiram o país, Marcelo explica:

“A CUT, o MST, a UNE e todos os sindicatos e movimentos sociais petistas e governistas estão com um discurso de que é preciso defender a governabilidade do novo mandato de Dilma diante do fortalecimento da oposição de direita. Na última quinta-feira (13), esses realizaram um ato na Avenida Paulista “por uma reforma política”. Essa é uma política pensada sob medida para distrair os trabalhadores e a juventude da agenda de direita do governo e dos escândalos de corrupção que o atingem diretamente. A prova disso é que nesse ato não faltaram os discursos de apoio à presidenta, e não se falou nada sobre os escândalos da Petrobrás. Não se falou nada sobre o fato de que Dilma está implementando justamente aquilo que criticou em Marina e Aécio para angariar votos durante as eleições”.

Sobre as alternativas dos trabalhadores e da juventude frente a essa realidade, Marcelo coloca:

“Alguns setores que se colocam como oposição pela esquerda ao governo, como o PSOL e o MTST, estão fazendo coro com o discurso do PT de defesa da governabilidade de Dilma contra a direita. Ambos estiveram presentes no ato governista de quinta-feira passada. O parlamentar do PSOL Jean Wyllys, chegou a dizer que poderia fazer parte do governo do PT. No 1º Encontro Nacional do Movimento Nossa Classe, que realizamos nesse sábado (15), aprovamos um chamado à CSP-Conlutas, às duas Intersindicais e aos sindicatos e oposições ligadas a essas centrais a impulsionarmos juntos um encontro de trabalhadores de base para debater e votar um plano de ação comum que responda à crise da água, aos planos de ajuste e aos escândalos de corrupção de forma independente do governo. Achamos que em especial os companheiros do PSTU e da CSP-Conlutas têm uma responsabilidade especial de impulsionar esse pólo. Nós estamos dispostos a colocar todos os nossos esforços a serviço de construir isso de forma unificada. Chamamos os trabalhadores e a juventude do PSOL a sair dessa armadilha de uma reforma política que termina sendo uma defesa da governabilidade de Dilma e somar forças em uma resposta independente ”.

Sobre as perspectivas de um encontro de trabalhadores de base que envolva o sindicatos e oposições ligados à esquerda anti-governista, Marcelo diz:

“Reunir os sindicatos e oposições sindicais que hoje se colocam como independentes do governo e da patronal num plano de ação comum será um primeiro passo muito importante para que possamos amplificar nossa voz e nos dirigirmos com mais força aos trabalhadores das bases da CUT, da Força Sindical, da CTB etc., para que esses se livrem de suas direções atreladas ao governo e retomem seus sindicatos como ferramentas de luta. As manifestações de junho de 2013 mostraram o enorme potencial do povo mobilizado. Precisamos retomar esse caminho, o de impor nossa vontade pela força da mobilização”.

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