Juventude

MOVIMENTO ESTUDANTIL

Importante fortalecimento da LER-QI junto a independentes na luta por entidades militantes

18 Dec 2009   |   comentários

O movimento estudantil brasileiro, que desde 2007 vem travando importantes lutas, com as estaduais paulistas à frente, vem abrindo o debate sobre a universidade elitista, racista e governada por uma casta de burocratas acadêmicos que a colocam a serviço dos capitalistas.
O governo Lula, que diz promover o país e a universidade para todos, não conseguiu reverter este cenário e nem se colocou seriamente essa tarefa. Mais de 70% dos estudantes seguem pagando mensalidades exorbitantes, em sua maioria justamente a juventude trabalhadora que deveria como mínimo ter um ensino público. Foi no seu governo que se formaram os maiores monopólios do ensino superior, em sua maioria de capital imperialista, como é o caso do Grupo Anhanguera e do Estácio de Sá. Começou beneficiando estes capitalistas com o PROUNI, ao promover isenção fiscal e deixando de abrir vagas nas universidades públicas para estes jovens com essa verba. Depois, promoveu a expansão de vagas nas federais via REUNI que, apesar de um discurso demagógico com a população que anseia entrar na Universidade criou em torno de 14 mil vagas, as quais quase que a metade ficaram ociosas , sem contar que sua verba planejada para atender uma “possível expansão” nas federais até 2011 já se esgotou e não foi nada comparado com os 300 bilhões que o governo Lula dedicou para salvar banqueiros e empresários ameaçados pela crise econômica como Eike Batista. Ainda assim, a vanguarda das federais que protagonizou as ocupações contra o REUNI em 2007, a luta da UNB contra o reitor corrupto, ao não levantar um programa pela positiva que fosse capaz de desmascarar o discurso de democratização do governo, e frente à impotência do PSOL e do PSTU de consolidarem-se como alternativa política, sofreu importantes derrotas para o governismo nas eleições dos DCE´s.
A tendência de saturação do mercado das particulares (o ano de 2008 foi o primeiro que apresentou uma queda de instituições de ensino superior justamente pela incorporação por parte dos grandes grupos de pequenos estabelecimentos), com diversos setores da juventude trabalhadora não conseguindo se formar e se manter na Universidade paga - pelo custo das mensalidades e da própria vida acadêmica, já que os jovens não têm direito a bolsas de auxilio estudantil como alimentação e transporte – fez com que a burguesia, justamente para salvar os grandes monopólios como o Grupo Anhanguera e o Estácio de Sá, adotassem a medida de precarizar mais o ensino voltado a esse setor mais oprimido e explorado da juventude, criando o Ensino a Distância. Isso além de aumentar o mercado da educação no país possibilitou a conservação dos grandes monopólios e serve de exemplo para o programa Universidade Aberta do Governo Federal ou a própria Univesp do Serra readequarem seus orçamentos, diminuindo gastos com aulas presenciais e precarizando mais o ensino público. Ou seja, a lógica para a burguesia brasileira pensar a Universidade, é a lógica do lucro e, para isso, os grandes centros de excelência acadêmica só podem atender a elite, enquanto a juventude pobre e os trabalhadores tem que se contentar com cursos não presenciais e semi-presenciais.
Em São Paulo, que tem como carro chefe das lutas as estaduais paulistas que mais uma vez protagonizaram uma grande luta junto aos trabalhadores da USP contra Serra em 2009, o ano terminou com a escolha de Rodas como reitor a partir da famigerada lista tríplice. Serra sequer optou por escolher o mais votado entre as poucas centenas de professores que tem direito a votar nessa oligarquia universitária. Neste cenário, nas eleições estudantis se mostrou como o governismo segue sem nenhuma força e surgiu uma nova direita na USP e IFCH - Unicamp (que também teve expressão na UFRGS ganhando o DCE), o que expressa a tendência de polarização nas universidades, e em particular na USP. Por sua vez, o PSOL retomou o DCE da USP e, como uma nova burocracia estudantil, se fortalece com a manutenção do DCE da Unicamp. O PSTU retrocedeu em quase todas as universidades de São Paulo, e teve como principal derrota o DCE da USP. O MNN segue sendo uma corrente que não consegue ultrapassar os muros da USP e retrocedeu até no número de votos nessa universidade.
Nossa corrente, junto a dezenas e dezenas de estudantes independentes, parte deles do Movimento A Plenos Pulmões e do grupo de mulheres Pão e Rosas, construímos chapas para disputar as eleições estudantis em vários locais, levantando a necessidade para que no próximo período tenhamos Centros Acadêmicos e DCE’s que não apenas sejam aparatos para votar encontros e resoluções por fora das principais lutas dos estudantes e trabalhadores no país, e que sempre se constituem como “monarquias” expressando a visão de uma única determinada corrente política ou grupo. Nossa perspectiva foi defender um movimento estudantil verdadeiramente novo, partindo da construção de entidades militantes e combativas, que impulsionem a luta pela democratização real da universidade, contra a burocracia acadêmica, a burocracia estudantil e os governos.
E o resultado não poderia ser melhor: conseguimos ganhar as eleições no CA de Ciências Sociais da Unesp Marília, no CA de Ciências Humanas da Unicamp junto ao PSTU, no CA de Serviço Social da PUC-SP, no CA de Ciências Sociais da Unesp Araraquara, e companheiros independentes da APP no DA da Unesp de Rio Preto. Além disso, tivemos importantes votações na USP na Letras e Ciências Sociais.
Com estas novas entidades, que se somam ao DA da Unesp de Rio Claro, vamos colocar todos os nossos esforços para travar um combate conseqüente contra a direita, as reitorias, Serra e Lula, além de assumir para nós a tarefa urgente de colocar de pé uma coordenação dos estudantes combativos em São Paulo e em todo o país. Queremos, a partir dos Centros Acadêmicos em que estamos, difundir o chamado a uma calourada que expresse a luta pela democratização da Universidade e se contraponha os trotes festivos e violentos apoiados pela maioria das reitorias, alavancando um debate concreto para darmos saída a essa crise da Universidade que só tem de se potencializar no próximo período com o acirramento da crise econômica e também da instabilidade política de um ano eleitoral. Lutaremos para forjar uma nova tradição em que as entidades estudantis sejam instrumentos de unidade entre os estudantes e, ao lado da luta dos trabalhadores, levantarem verdadeiras medidas concretas para popularizar o acesso e democratizar a Universidade; mostrando que a única maneira de ampliar vagas é estatizando os grandes grupos como o Anhanguera e o Estácio de Sá sem indenização, aproveitando toda a infra-estrutura física a serviço do ensino publico gratuito de qualidade, acabar com o filtro social que é o vestibular, exigir vagas presencias no ensino público para todos os estudantes matriculados em cursos não presenciais, garantir a permanência estudantil com bolsas alimentação, transporte e acadêmica que possibilite o jovem estudante se formar e não ter que largar o curso.

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