Juventude

MOVIMENTO ESTUDANTIL

Chapa Ruptura vence as eleições para o Diretório Acadêmico na UNESP de Rio Preto

23 Dec 2009   |   comentários

Ao longo dos dois últimos anos muito se modificou no caráter do movimento estudantil e no pensamento dos estudantes, sendo o mais essencial, o descrédito dado à forma burocratizada e corporativista das entidades estudantis, que não conseguiam aliar a luta dos estudantes à necessidade da luta pela transformação radical da universidade e, conseqüentemente, da sociedade, em defesa da única classe realmente revolucionária, que é a classe trabalhadora. E em Rio Preto, essa modificação também não foi diferente. Porém, mesmo com toda a combatividade expressa por esse amplo setor de estudantes forjado a partir da mobilização massiva de 2007, temos visto que, se nos métodos, o movimento estudantil radicalizou, no programa, ainda há muito a avançar. Foi por essa razão, que nós, do Movimento A Plenos Pulmões junto com estudantes independentes, formamos a chapa Ruptura para disputar o Diretório Acadêmico da UNESP de Rio Preto. Buscamos desde o início da campanha atuar na base dos estudantes para romper com a dinâmica de “voto por amizade” que ainda cerca o movimento estudantil, seja pelo isolamento em que as chapas concorrentes muitas vezes se colocam, com propostas que não dialogam com os estudantes, seja pela superficialidade do programa, que não permite que se note a diferença entre elas. Por meio de uma campanha militante, que buscou chegar até a base os estudantes colocando uma proposta pela positiva, que respondesse às políticas neoliberais implementadas pelo governo e reitoria, como o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (UNIVESP) na UNESP, e defendendo propostas que realmente democratizem o acesso ao ensino superior público, gratuito e presencial, como o fim do vestibular e a sua concretização por meio da estatização dos grandes monopólios particulares (como a UNIP em Rio Preto), fomos eleitos com a participação de 16,5% do câmpus, que possui 1803 estudantes, sendo 259 votos favoráveis e apenas 39 contrários. Tal resultado mostra a disposição dos estudantes (grande maioria do primeiro e segundo ano), tanto da chapa quanto do câmpus, em construir no ano de 2010 lutas que ultrapassem as de 2007, não só na radicalidade, mas em programa. Inclusive, porque, para além das políticas voltadas para a transformação da universidade, a diferenciação da chapa Ruptura se deu, também, no que concerne à discussão de gênero, mostrando que uma entidade deve enxergar a questão da opressão à mulher como algo intolerável e, portanto, colocar todas as forças na luta contra a mercantilização do corpo feminino, contra os assediadores e contra àqueles que criminalizam o aborto e condenam à morte milhares de mulheres, quase exclusivamente as negras e pobres. É, portanto, por um Diretório Acadêmico pautado nas ações pela luta de classes, aliado aos trabalhadores, às mulheres e à juventude negra e pobre que está fora dos muros da universidade pública, que chamamos todos os estudantes de Rio Preto, assim como os estudantes de toda a UNESP, a quebrarem conosco os muros do conhecimento, que segregam as classes e impõe condições cada vez piores às mulheres, aos trabalhadores e à juventude da periferia!

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