Movimento Operário

CUT e demais centrais a serviço do governo e dos capitalistas

27 Jun 2009   |   comentários

Os sinais de arrefecimento passageiro dos efeitos da crise económica mundial no Brasil levam distintos setores da direção das centrais sindicais a saírem proclamando aos trabalhadores que “o pior já passou” . Após centenas de milhares de demissões dos setores mais explorados, de suspensões, de reduções de salário e direitos, e aceleração dos ritmos de produção estes dirigentes vêm dizer aos trabalhadores que sua política esteve correta e que somente graças a eles a “tragédia não foi maior” . Do ponto de vista da patronal esta afirmação é absolutamente verdadeira: é graças a esses dirigentes que os profundos ataques, incluindo a militarização e criminalização da importante greve de trabalhadores e estudantes da USP e demais estaduais paulistas, têm ocorrido sem deflagrar nenhuma luta pela defesa incondicional dos interesses dos trabalhadores, mantendo seu pacto implícito com as patronais e o governo como avalistas da estabilidade social.

Um pacto social velado

Ainda no final de 2008 a Força Sindical procurou adiantar-se às outras centrais e agendou uma reunião com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) onde pretendia chegar a um pacto de substituição das demissões por redução de salários. A negativa da CUT em participar do mesmo pacto levou a que não fosse consolidado abertamente. Por meses temos vivido uma política em que a Força Sindical e a CTB negociam reduções de salário em troca de promessas de emprego, mas a patronal tem demitido mesmo assim, como no caso da CSN e em numerosas indústrias metalúrgicas da região metropolitana de Curitiba (Bosch, sendo o último caso). A CUT, por sua vez, como temos denunciado neste Palavra Operária, afirma ser contra as demissões e contra as reduções de salário, mas negocia as mesmas coisas fábrica a fábrica (TRW, por exemplo).

Esta política com as diferentes tonalidades de peleguismo entre as três maiores e mais importantes centrais configura-se como impedimento à ação independente dos trabalhadores contra o governo e a patronal e em defesa de seus interesses. Deste modo, estas centrais têm realizado atos (com o beneplácito e participação da Conlutas e Intersindical) contra as demissões “por reduções de juros” , “por incentivos à produção e ao desenvolvimento” e outros programas burgueses, mas não de enfrentamento aos lucros e propriedades patronais para que a crise a paguem os capitalistas. Firmando um pacto não explícito com o governo e a patronal para que os ataques passem sem deflagrar nenhuma luta, sem uma resistência operária organizada e sem criar instabilidade política no governo Lula. Desde aproximadamente março esta política combinada com incentivos fiscais do governo e o arrefecimento momentâneo da crise no país ’ além da diminuição e, em alguns casos, suspensão das demissões ’ deu um salto. Estas centrais têm boicotado toda e qualquer iniciativa de luta e coordenação do funcionalismo estadual, particularmente o paulista com sua crise concentrada na USP. CUT, Força e CTB pretendem continuar organizando atos pela redução dos juros enquanto combinam uma retórica de “todo apoio às lutas” . Esta retórica não tem ultrapassado os palanques de futuros candidatos e textos de solidariedade.

Superar os dirigentes conciliadores

Cheios de interesses nas eleições de 2010 os dirigentes das centrais vinculadas ao governo Lula, ao PT e ao PCdoB, têm feito declarações de apoio à luta dos trabalhadores, estudantes e professores da USP e demais estaduais paulistas. Este apoio declarado não tem se convertido em apoio efetivo e ativo a estas lutas, ao contrário. Dirigindo importantes sindicatos do funcionalismo paulista, como a Apeoesp (professores), metroviários e águas e esgoto (Sabesp), a CUT e a CTB respectivamente têm impedido que estas lutas eclodam, aceitando as propostas do governo paulista e objetivamente deixando isolada a USP militarizada. Sua negativa em oferecer algo mais que declarações a uma greve heróica que leva já quase dois meses, e que ganhou importância nacional, constitui uma prova do pacto não declarado pelo qual atuam, deixando ocorrer os ataques das distintas patronais e governos (inclusive de seu opositor Serra) sem resistência organizada para que sua ação de solidariedade faça este conflito triunfar.

Se antes que a crise tenha golpeado duramente o Brasil os dirigentes das centrais sindicais da CUT, FS ou CTB já se mostram dispostos a aceitar e a convencer os trabalhadores de carregar sobre suas costas parte da crise, o que os trabalhadores podem esperar quando a crise chegar mais plenamente? São esses dirigentes sindicais das centrais e dos sindicatos que eles representam que nos anos 1990 foram cúmplices da ofensiva neoliberal que levou à divisão das fileiras operárias, provocando um grande retrocesso à classe trabalhadora; por isso nada se pode esperar destes dirigentes sindicais. Os trabalhadores têm que se preparar antes que a crise chegue mais duramente ao país, exigindo verdadeiras assembléias resolutivas nas empresas e ramos de produção, recuperando suas comissões de fábrica, dando passos firmes na superação desses dirigentes que conciliam com as patronais e o governo.

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